quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Ficar ou não ficar? Eis a questão!

O verbo Ficar se tornou na linguagem brasileira e muito dito pelos jovens como uma conotação de namoro sem compromisso, na qual, há troca de carinhos/carícias. Ficar é uma expressão utilizada mais ou menos a partir da decada de 80, de acordo com a Mariana Araguaia. A duração do ficar pode ser apenas um beijo, ficar a noite toda, algumas semanas, e sem, na verdade, a garantia de uma ligação no dia seguinte ou depois nas outras semanas. É bem verdade que teria um fundo de compromisso... ou não.
A questão disso tudo seria : devo cobrar ou não atitudes de compromissos da pessoa que estou ficando?
Já que a fidelidade é efemera em uma ficada há uma certa regra em que não se pode questionar ou querer um certo compromisso e fidelidade da pessoa em questão.
Então, o apaixonar-se pelo ficante seria um grande deslize, se no caso, a reciprocidade do parceiro não for a mesma, ou seja, se o cara ou mina não estiver apaixanado por você também.
Mariana Araguaia diz que :

"Devido a esta ausência de regras bem definidas, sentimentos de confusão, ansiedade, ou mesmo angústia, podem surgir, já que, por exemplo, existe a possibilidade real de se apaixonar pelo “ficante” sem que este compartilhe o mesmo sentimento. Ou vê-lo com outra pessoa sem ter o direito de cobrar exclusividade. Ou de esperar uma atenção a mais sem, também, poder esperar que isso de fato, aconteça. Aliás, a cobrança é um fator que pode fazer com que o outro deseje parar de ficar com aquela pessoa..."


Por um lado essa relação é positiva para que se possa realmente conhecer pessoas, em descobrir a personalidade e objetivo dos outros, por outro, as veses, essas relações se tornam uma busca desesperada de querer alguem, que por muitas das veses encontra no meio desse caminho pessoas que realmente não estam afim de compromisso, que só estam nessa para continua com suas relações apenas em ficadas.
A cultura do descartavel, dita por Justo (2005), pode ser uma certa condição dos inicios de relacionamentos amorosos na contemporaneidade. Dá o tiro certo ou não, e assim descartar-lo(a).
Ou seja o momento seria "relações abreviadas, voltadas para a satisfação de necessidades
e desejos imediatos, sem compromissos que ultrapassem o momento da relação." (JUSTO, 2005)
O desapego seria o grande X da questão. Seria um medo ou somente a individualidade? Bem isso fica a mercê de cada um de nós ou de cada sentimento posto ou negado...

“O que me atormenta é que tudo é 'por enquanto', nada é ' sempre'“.
Clarice Lispector



 Referencias:
Araguaia, Mariana. http://www.brasilescola.com/sexualidade/ficar.htm
Justo, José S. Revista do Departamento de Psicologia - UFF, v. 17 - nº 1, p. 61-77, Jan./Jun. 2005. Disponivel http://www.scielo.br/pdf/rdpsi/v17n1/v17n1a05.pdf

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